Durante algumas temporadas, a ideia de elegância pareceu falar baixo. Mas as passarelas de 2026 começam a mostrar que sofisticação e neutralidade não precisam ser sinônimos.

Durante algumas temporadas, a ideia de elegância pareceu falar baixo. Bege, branco, marrom, preto e cinza ganharam protagonismo em meio à valorização do minimalismo, das peças discretas e de uma estética associada ao quiet luxury. Essas cores continuam relevantes, claro. Mas as passarelas de 2026 começam a mostrar que sofisticação e neutralidade não precisam ser sinônimos.

A cor volta a ocupar espaço de maneira mais intencional. Em vez de aparecer apenas em detalhes ou acessórios, tons saturados passam a estruturar looks inteiros, criando novas relações entre forma, proporção e identidade. A Vogue identificou esse movimento nas coleções recentes, destacando uma presença cada vez maior de combinações cromáticas complexas e cores intensas usadas como elemento principal do look.

Quando a cor deixa de ser apenas detalhe

O mais interessante talvez não seja a presença de uma tonalidade específica, mas a liberdade com que diferentes cores começam a conviver.

Na primavera/verão 2026, Jil Sander levou o azul Klein para construções minimalistas. Bottega Veneta introduziu vermelho intenso em meio a uma paleta mais serena, enquanto Loewe buscou na obra de Ellsworth Kelly uma referência direta para trabalhar forma e intensidade cromática.

A conexão com a arte moderna não é casual. A ELLE observou uma aproximação das coleções da temporada com cores primárias, formas gráficas e referências modernistas. Na estreia de Jack McCollough e Lazaro Hernandez na Loewe, a própria coleção foi descrita a partir de sua “intensidade cromática”, inspirada pelo diálogo entre cor e forma presente no trabalho de Kelly.

Nesse contexto, cor não significa necessariamente excesso. Uma peça pode ser extremamente limpa na modelagem e, ainda assim, construir impacto por meio de um azul profundo, um vermelho saturado ou um amarelo preciso.

Cor forte, silhueta sofisticada

Essa relação aparece especialmente bem quando a intensidade cromática encontra roupas de construção simples e materiais sofisticados.

É uma lógica que funciona naturalmente em vestidos longos e fluidos, caftãs, alfaiataria leve e peças que transitam entre praia, cidade e ocasiões sociais. Quanto mais limpa a silhueta, maior pode ser o espaço para a cor assumir o protagonismo sem comprometer a elegância.

O resultado não precisa ser maximalista. Pelo contrário. A força pode estar justamente no contraste entre uma construção contida e uma escolha cromática segura.

Depois dos neutros, mais espaço para personalidade

A mudança também parece dizer algo sobre a relação atual com o vestir.

Segundo a Vogue, cores mais fortes deixaram de funcionar apenas como pequenos acentos em algumas coleções recentes. Em vários casos, a interação entre diferentes tonalidades passou a formar a base do look. A publicação também aponta uma liberdade maior das próprias marcas para alternar entre registros austeros e coloridos sem precisar transformar uma dessas linguagens em identidade fixa.

Essa flexibilidade combina com um momento em que estilo pessoal ganha mais espaço do que fórmulas muito rígidas. Depois da consolidação de códigos visuais facilmente reconhecíveis, a cor oferece mais uma possibilidade de autoria.

Não se trata de substituir o guarda-roupa neutro, mas de ampliar suas possibilidades.

Para marcas brasileiras ligadas ao resortwear, como a Lenny Niemeyer, essa conversa é especialmente natural. Cor, fluidez e desenho podem coexistir sem que um elemento precise competir com o outro.

Uma nova ideia de sofisticação

Talvez seja essa a mudança mais interessante de 2026: a moda parece menos interessada em definir uma única aparência para a elegância.

Uma peça neutra continua podendo ser sofisticada. Uma peça em cobalto, esmeralda, vermelho ou rosa intenso também.

O que muda é o critério. A sofisticação passa menos pela ausência de cor e mais por escolhas de corte, matéria, proporção e combinação. A paleta se torna parte da linguagem de quem veste, e não uma regra sobre como a elegância deveria parecer.

Referências

VogueGoodbye, ’90s Minimalism—Color Is So Back

ELLEHow Modern Art Took Over The Runway

VogueTomato! Lime! Purple! The Key 2026 Color Trends to Note for Spring

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Olá, eu sou Janaina de Moura, a mente e o coração por trás do mhais.com.br. Desde que me entendo por gente, sou fascinada pelo poder que a informação e o bem-estar têm de transformar vidas. Foi essa paixão que me levou a criar um espaço onde eu pudesse compartilhar não apenas dicas de saúde e estilo de vida, mas também um pouco da minha jornada de autoconhecimento e cuidado. Acredito que viver bem é uma arte que se aprimora a cada dia, e meu objetivo com o Mhais é oferecer as ferramentas e a inspiração para que cada um de nós possa pintar sua própria obra-prima de uma vida mais plena e feliz.

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